Quando a Falta ao Trabalho Pode Resultar em Justa Causa

A ausência ao trabalho pode levar à justa causa quando for injustificada, frequente e causar prejuízo à empresa, comprometendo a confiança.


A falta ao trabalho pode resultar em justa causa quando o empregado comete uma ausência injustificada ou frequente que compromete o andamento das atividades da empresa e viola as obrigações contratuais previstas na legislação trabalhista. A justa causa é uma penalidade grave prevista no artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que permite a rescisão do contrato de trabalho sem direito a algumas verbas rescisórias, justamente por comportamento faltoso ou inadequado do empregado.

Este artigo explicará detalhadamente as situações em que a falta ao trabalho pode levar à aplicação da justa causa, destacando os tipos de ausência que são consideradas graves, as condições para que a penalidade seja legítima e exemplos práticos para auxiliar tanto empregadores quanto empregados a entenderem seus direitos e deveres. Além disso, serão apresentados os procedimentos recomendados para a empresa antes de aplicar a justa causa, evitando assim decisões injustas ou que possam ser revertidas em processos trabalhistas.

Quando a falta ao trabalho configura justa causa?

De acordo com o artigo 482 da CLT, a justa causa pode ser aplicada em casos de faltas graves do empregado, entre elas:

  • Faltas injustificadas recorrentes: Ausências não justificadas que se repetem frequentemente, demonstrando desinteresse e desrespeito ao contrato.
  • Abandono de emprego: Quando o empregado deixa de comparecer ao trabalho por um período prolongado (geralmente 30 dias ou mais) sem comunicar o empregador, caracterizando a desistência do contrato.
  • Negligência ou insubordinação: Recusar-se repetidamente a cumprir ordens ou padrões básicos da função, o que pode se refletir em faltas.

Importância da comunicação e justificativa das faltas

Nem toda falta ao trabalho gera justa causa. É essencial que o empregado comunique prontamente suas ausências e, sempre que possível, apresente justificativas legais, como atestados médicos, para evitar penalidades. Do lado do empregador, é recomendável:

  • Registrar todas as faltas e justificativas apresentadas;
  • Notificar o empregado formalmente sobre faltas injustificadas;
  • Aplicar advertências antes de tomar medidas mais severas, garantindo o direito ao contraditório.

Exemplos práticos de faltas que podem ocasionar justa causa

Além do abandono de emprego, outras situações que podem resultar em justa causa incluem:

  1. Faltar ao serviço por dias consecutivos sem apresentar justificativa;
  2. Ausentar-se reiteradamente no mesmo mês sem justificativa plausível;
  3. Fornecer atestado médico falso;
  4. Ausentar-se durante o expediente sem autorização do empregador.

Critérios Legais para Configuração de Abandono de Emprego

O abandono de emprego é uma das principais causas que podem levar a uma rescisão por justa causa, conforme previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No entanto, para que essa penalidade seja aplicada de forma justa e correta, é fundamental observar alguns critérios legais que definem claramente essa conduta.

O que caracteriza o abandono de emprego?

De acordo com a jurisprudência e a legislação trabalhista, o abandono de emprego acontece quando o empregado deixa de comparecer ao trabalho por um período contínuo e injustificado, demonstrando desinteresse e ausência de intenção de retornar ao serviço.

Período exigido para configuração

  • O prazo mínimo geralmente aceito pela Justiça do Trabalho é de 30 dias consecutivos de ausência.
  • Entretanto, é importante destacar que a ausência deve ser acompanhada de falta de justificativa plausível, ou seja, sem apresentar atestado médico ou outro documento que comprove motivo legítimo.

Elementos essenciais para comprovação

Para que o empregador configure de forma segura o abandono, são indispensáveis os seguintes elementos:

  1. Ausência prolongada e sem justificativa no trabalho.
  2. Comunicação ou tentativa de contato por parte do empregador, buscando esclarecimentos.
  3. Comprovação documental, como registros de ponto, notificações enviadas, e protocolos de tentativa de comunicação.

Notificações extrajudiciais e sua importância

São recomendadas as notificações via carta registrada ou outro meio formal para comunicar o empregado sobre as consequências do abandono e solicitar seu retorno ou justificativa. Essa prática fortalece a defesa do empregador em eventuais processos trabalhistas.

Exemplos práticos de abandono de emprego

  • Funcionário que deixa de comparecer ao trabalho por 45 dias sem apresentar qualquer justificativa ou entrar em contato.
  • Colaborador que não responde às tentativas de comunicação e não apresenta documentos médicos que expliquem a ausência.

Tabela comparativa: Abandono de emprego x outras faltas

CritérioAbandono de EmpregoFalta JustificadaFalta Injustificada
Duração da ausênciaMais de 30 dias consecutivosQualquer duração, com justificativaCurta ou longa, sem justificativa
Comunicação ao empregadorAusente ou insuficientePresente, com documentos válidosAusente
Intenção de retornoNão demonstradaDemonstradaIndefinida
Consequência legalRescisão por justa causa possívelManutenção do contratoAdvertências ou suspensão

Dicas práticas para empregadores

  • Documentar todas as tentativas de contato e ausências do empregado.
  • Notificar formalmente o funcionário sobre a situação e as consequências possíveis.
  • Consultar um profissional de recursos humanos ou jurídico antes de efetivar a rescisão.

Vale lembrar que a aplicação do abandono de emprego como justa causa deve ser criteriosa e baseada em provas concretas, para evitar prejuízos judiciais e danos à reputação da empresa.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a falta grave que pode levar à justa causa?

A falta grave envolve atos como desídia, insubordinação, abandono de emprego ou comportamento inadequado que prejudique a empresa.

Quantos dias de falta são considerados abandono de emprego?

Geralmente, faltas superiores a 30 dias consecutivos sem justificativa podem configurar abandono de emprego.

O empregado pode ser demitido por justa causa sem aviso prévio?

Sim, a demissão por justa causa dispensa o aviso prévio ao empregado.

Como o empregador deve proceder antes de aplicar a justa causa?

É importante que haja registro, comunicação prévia e possibilidade de defesa para o empregado.

A falta ao trabalho justificada pode gerar justa causa?

Não, faltas justificadas, como atestados médicos, não são passíveis de justa causa.

Quais são os efeitos da demissão por justa causa para o empregado?

O empregado perde o direito ao aviso prévio, FGTS com multa de 40%, seguro-desemprego e outras verbas rescisórias.

Pontos-chave sobre falta ao trabalho e justa causa

  • Faltas reiteradas e sem justificativa podem levar à demissão por justa causa.
  • Abandono de emprego ocorre após 30 dias consecutivos de ausência não justificada.
  • Faltas justificadas, como licença médica, não configuram motivo para justa causa.
  • O empregador deve assegurar o direito à ampla defesa antes da demissão.
  • Justa causa implica em perda de direitos trabalhistas para o empregado.
  • Registro documental das faltas é fundamental para comprovar a justa causa.
  • Absenteísmo pode ser considerado falta grave caso prejudique o funcionamento da empresa.
  • Comunicação formal da decisão de demissão é obrigatória.
  • O empregado pode recorrer à Justiça do Trabalho para contestar a justa causa.

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