Como Calcular a Rescisão Após Licença Maternidade Corretamente

Para calcular a rescisão após licença maternidade corretamente, considere saldo de salário, férias vencidas, 13º proporcional e FGTS.


Calcular a rescisão após licença maternidade requer atenção especial às particularidades legais que envolvem esse período de afastamento da trabalhadora. O cálculo deve considerar o salário integral, incluindo todas as verbas salariais e benefícios que a colaboradora teria direito caso estivesse trabalhando normalmente, respeitando os direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela legislação previdenciária vigente.

Este artigo detalha o passo a passo para realizar o cálculo da rescisão de contrato após o término da licença maternidade, explicando quais verbas devem ser incluídas, como calcular as médias salariais e quais direitos assegurar à empregada. Também abordaremos como a licença maternidade impacta no aviso prévio, férias proporcionais, 13º salário e demais componentes da rescisão, ilustrando com exemplos práticos para facilitar o entendimento.

Entendendo a Licença Maternidade e seus Impactos na Rescisão

A licença maternidade é um direito garantido à trabalhadora que consiste em um afastamento remunerado para cuidar do recém-nascido. O período padrão é de 120 dias, podendo ser estendido para 180 dias em alguns casos, como no Programa Empresa Cidadã.

Durante a licença, a trabalhadora recebe o salário-maternidade, que é pago pelo INSS, mas o empregador deve garantir a manutenção do emprego e dos direitos contratuais do período de afastamento. Isso significa que, ao fazer a rescisão do contrato após a licença maternidade, é necessário observar:

  • Salário integral: considerar o salário normal da empregada como base para cálculo;
  • Benefícios e adicionais: incluir adicionais como periculosidade, insalubridade, comissões, horas extras habituais e benefícios pagos durante o contrato;
  • Proventos proporcionais: férias, 13º salário e demais direitos proporcionais ao tempo trabalhado, incluindo o período da licença;
  • Proteção contra dispensa arbitrária: a legislação prevê estabilidade provisória de 5 meses após o retorno da licença maternidade, salvo em casos específicos.

Passo a Passo para Calcular a Rescisão Após Licença Maternidade

  1. Levantamento do salário-base: Identifique o salário mensal que a empregada recebia antes da licença;
  2. Incluir adicionais e variáveis: Some médias de horas extras, comissões e outros adicionais com base nos últimos 12 meses;
  3. Calcular férias proporcionais: Inclua as férias vencidas e proporcionais, considerando o período trabalhado e a licença como tempo de serviço;
  4. Calcular 13º salário proporcional: Baseado no número de meses trabalhados no ano;
  5. Verificar aviso prévio: Se aplicável, considerar o aviso prévio indenizado ou trabalhado;
  6. Somar demais verbas rescisórias: Multa do FGTS (40%), saldo de salário, entre outros;
  7. Confirmação da estabilidade: Verificar se a dispensa respeita a estabilidade após o retorno da licença maternidade para evitar passivos trabalhistas.

Exemplo Prático

Suponha que uma empregada receba R$ 2.500,00 mensais, com média de R$ 200,00 em horas extras e R$ 150,00 de comissão por mês. Ela retorna da licença maternidade e é demitida após 2 meses. Seu cálculo incluiria:

  • Salário-base: R$ 2.500,00
  • Média de adicionais: R$ 350,00
  • Férias proporcionais + 1/3
  • 13º salário proporcional
  • Multa do FGTS (40%) sobre o saldo depositado

Portanto, o valor da rescisão deve ser calculado considerando todos esses itens para garantir o pagamento correto e evitar problemas futuros.

Quais Direitos Trabalhistas São Mantidos Após a Licença Maternidade

Após a licença maternidade, é fundamental que a trabalhadora conheça seus direitos garantidos para assegurar uma transição tranquila e justa de volta ao ambiente de trabalho. A legislação brasileira protege a mulher nesse período, garantindo a manutenção de diversos direitos trabalhistas essenciais.

Direitos Preservados Durante e Após a Licença Maternidade

  • Estabilidade no emprego: A profissional tem direito à estabilidade provisória no emprego desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, conforme previsto no artigo 10, inciso II, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Isso significa que não pode ser demitida sem justa causa nesse período.
  • Salário integral: Durante a licença maternidade, a trabalhadora recebe o salário completo, pago pelo empregador ou, em alguns casos, pelo INSS. Após o retorno, o salário não pode ser reduzido.
  • Manutenção dos benefícios: Todos os benefícios concedidos pelo empregador, como planos de saúde, vales-alimentação e outros, devem ser mantidos conforme estavam antes da licença.
  • Direito à amamentação: A legislação assegura à mãe o direito a dois descansos diários de meia hora para amamentar o bebê até que este complete seis meses de idade (Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, art. 396).

Garantias Específicas e Proteções Adicionais

Além dos direitos básicos, a trabalhadora que retorna da licença maternidade pode contar com:

  1. Ajustes na jornada: Em alguns casos, pode solicitar redução de jornada para cuidar do filho, conforme acordos coletivos ou políticas internas da empresa.
  2. Preferência nas transferências: Caso a empresa realize transferências de função ou local de trabalho, a trabalhadora tem prioridade para manter condições que não prejudiquem seu cuidado com o recém-nascido.
  3. Proteção contra dispensa discriminatória: Qualquer demissão que tenha como motivo a gravidez ou o retorno da licença é considerada discriminatória e, portanto, nula.

Exemplo prático:

Maria, que trabalhou como auxiliar administrativa, entrou em licença maternidade em janeiro. Ao retornar em julho, seu empregador tentou transferi-la para uma unidade distante, o que dificultaria o cuidado com seu filho pequeno. Com base na lei, Maria tem o direito de recusar essa transferência e negociar uma solução que respeite suas necessidades maternas.

Comparativo de Direitos Mantidos Antes e Após a Licença Maternidade

DireitoDurante a Licença MaternidadeApós o Retorno
Estabilidade no empregoGarantidaGarantida até 5 meses pós-parto
SalárioIntegralIntegral e sem redução
Benefícios (assistência médica, vales)MantidosMantidos
Direito à amamentaçãoNão aplicável2 descansos diários de 30 minutos até 6 meses
Possibilidade de redução da jornadaNão aplicávelPermitida conforme acordo

Dicas Práticas para Garantir Seus Direitos

  • Documente todas as comunicações com o empregador referente à licença e ao retorno.
  • Conheça seus contratos, acordos coletivos e políticas internas para fortalecer sua posição.
  • Procure assistência jurídica trabalhista em casos de dúvidas ou violações de direitos.
  • Organize seu planejamento financeiro para o período pós-licença, considerando possíveis ajustes na jornada.

Manter-se informada é o primeiro passo para garantir uma retomada do trabalho tranquila e justa, respeitando tanto a profissional quanto a mãe que você é.

Perguntas Frequentes

O que é a licença maternidade?

É um período de afastamento remunerado para mães, garantindo a estabilidade no emprego durante a gravidez e após o parto.

Como a licença maternidade afeta a rescisão do contrato?

Durante a licença, a funcionária tem estabilidade, e o cálculo da rescisão deve incluir o período da licença para evitar descontos indevidos.

Quais verbas devem ser consideradas na rescisão após licença maternidade?

Salários, 13º proporcional, férias proporcionais + 1/3, adicionais e eventuais verbas rescisórias devem ser incluídos.

Posso descontar o período da licença maternidade na rescisão?

Não, o período de licença maternidade é protegido por lei e deve ser integralmente considerado.

O que fazer se o empregador não pagar corretamente a rescisão?

É recomendável buscar orientação jurídica e, se necessário, acionar a Justiça do Trabalho para garantir os direitos.

Quando a estabilidade da gestante termina?

A estabilidade vai do início da gravidez até cinco meses após o parto.

Resumo Esquematizado para Cálculo da Rescisão Após Licença Maternidade

  • Estabilidade: Gestante tem estabilidade desde confirmação da gravidez até 5 meses após o parto.
  • Período da licença: Licença maternidade dura 120 dias (podendo ser estendida); não pode ser descontada da rescisão.
  • Salários: Considerar salário integral para cálculo da rescisão.
  • 13º salário: Proporcional ao tempo trabalhado até a data da rescisão, incluindo licença maternidade.
  • Férias: Proporcionais e 1/3 constitucional com a licença inclusa.
  • Multas: Multa do FGTS em caso de demissão sem justa causa deve considerar todo o período.
  • Descontos: Não são permitidos descontos relacionados ao período de licença maternidade.
  • Documentação: Emitir Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT) com valores corretos.
  • Recursos: Se houver dúvidas ou irregularidades, procure ajuda jurídica especializada ou o sindicato da categoria.

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